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A contusão de Aaron Ramsey
O clássico do Santos
Desde o primeiro minuto do jogo de ontem na Vila Belmiro, o Santos foi superior ao Corinthians. Isso é um fato, não tem como negar. Se não fosse a bela atuação do goleiro corintiano, tería sido uma goleada santista.
Visto tudo isso não podemos deixar dois pontos de lado: A arbritagem um tanto quanto pró-Santos. E a eterna discussão da ética futebolística: Fazer firula ou não?
O primeiro tempo do Santos foi fantástico, assim como o de Felipe (Corinthians). Desde o começo, a equipe da baixada santista encurralou o Corinthians no próprio campo. Conseguiu um pênalti, vários ataques, mas todos eles pararam nos milagres de Felipe. Menos a bola que Marquinhos tocou para Neymar, que de costas para Alessandro, girou e bateu firme no canto do arqueiro corintiano. Gol. 1 x 0. Não esqueçamos também do belo lance de Dentinho, quando o jogo ainda estava com o placar zerado. Bela bola enfiada por Ronaldo, Dentinho dominou e deu uma bela bicicleta, daquelas clássicas, mas parou nas mãos de Felipe, dessa vez, o santista.
No segundo tempo, o Corinthians voltou com duas alterações. Saiu Ralf e Alessandro e entraram Moacir e Jucilei. Péssimas escolhas de Mano Menezes, Ralf marca melhor que Elias e Jucilei, apesar de não sair bem para o jogo, coisa que não mudou em nada com a alteração, mas o meio-campo corintiano perdeu na marcação. E sobre Moacir, não tenho o que falar, não deveria nem ter sido contratado.
O Santos continuou tomando conta da partida, indo pra cima. Fez o segundo gol, em mais uma bela jogada de
Marquinhos e Neymar, mas que dessa vez terminou no gol de André. Depois de sofrido o segundo gol, o Corinthians acordou, foi pra cima e conseguiu diminuir, com Dentinho – jogador mais perigoso do Corinthians no jogo. Após esse gol, parecia que o Corinthians iria inflamar o jogo, ir para cima, mas teve dois jogadores expulsos, o que complicou muito. Aos 41 minutos de jogo, Tcheco teve a chance de empatar, estava ele e o gol, e ele cabeceou na trave.
Sabendo mais ou menos como foi o jogo, agora vamos aqueles pontos ditos ali em cima que não podemos deixar de lado.
José Henrique de Carvalho usou dois critérios diferentes para as duas equipes. Distribuiu cartões amarelos e faltas contra o Corinthians. Não fez o mesmo para o não menos faltoso time santista. Passava um vento perto de Neymar, era falta. Não vi marcar muitas faltas (que de fato foram) em cima de Jorge Henrique e Dentinho. Moacir foi bem expulso, não que ele merecia o primeiro cartão amarelo que levou, mas pelo bem do futebol. Os cartões de Roberto Carlos também não foram absurdos, mas poderiam ser evitados. Ele não fez o pênalti em Marquinhos (se foi pênalti, esse foi cometido por William) e também não simulou o pênalti no lance que levou seu segundo amarelo, tendo em vista que houve sim contato físico. Do lado do Santos, Neymar deveria ser expulso. Tomou o primeiro amarelo por continuar o lance com a bola parada. Depois fez isso mais duas vezes e não foi punido da mesma maneira. Critério tem que ser usado o jogo inteiro, juizão. Que ainda, por conta disso, puniu Felipe com um cartão amarelo, pois reclamou dos lances de Neymar.
Sobre as firulas. Dribles são o que há de mais bonito no jogo. Mas a equipe santista não pode abusar das firulas, tem que ser objetiva. Essa falta de objetividade quase causou no empate corintiano, ontem. Além do mais, dribles é com a bola rolando, senhor Neymar, não com a bola parada. Jogadores de futebol no geral tem que ter bom senso, as firulas fora de hora podem causar brigas, pancadarias dentro e fora de campo. Mas não podemos nos queixar de tais dribles quando feitos com objetividade, coisa que Neymar sabe muito bem fazer, aliás é sua marca registrada esse ano. A firula dentro do jogo tem que existir, jogadores adversários tem que respeitar e parar com esse chororô de ética profissional. E se tem firula com a bola parada, cabe à arbritagem punir, pois está na regra que o lance não pode continuar após o apito do árbrito.
Dito tudo isso. O Santos foi melhor, mereceu ganhar, mereceu golear, mas não o fez, por conta da falta de objetividade. O Corinthians continua jogando mal, Danilo faz falta e o meio-campo ontem estava perdido.
Todos os outros clássicos entre Corinthians e Santos no ano será um prato cheio para provocações. Será um prato cheio para os torcedores e a imprensa. Voltou a ser o clássico da moda em São Paulo.
O jogo mais esperado pela torcida corintiana nessa temporada começou com muita festa na arquibancada, mas com um susto dentro de campo. Antes de um minuto de jogo, o Racing abriu o placar, em (mais uma) falha da zaga corintiana. Gol de Cauteruccio.
Após esse susto, o Corinthians foi pra cima do Racing, sempre com as jogadas passando pelos pés de Tcheco. Mas apesar das boas jogadas criadas pelo meio campo do Corinthians, o time deixava muito espaço atrás, contando algumas vezes com a sorte e porque não com a ajuda do fraco trio de arbritagem.
Aos dez minutos de jogo Ronaldo – de volta depois de 4 semanas -, veio buscar jogo no meio campo e logo saiu o gol. Ronaldo tocou no Tcheco que de letra deixou Elias na cara do gol, que não titubeou e colocou pra dentro. 1 x 1.
Após o gol corintiano, a torcida acendeu novamente e o time continuou pressionando, mas sempre deixando espaços lá trás. Apesar da pressão, o Corinthians não conseguiu produzir muita coisa, muito pela falta de inspiração de Matías Defederico. No fim do primeiro tempo ainda teve duas boas jogadas de Ronaldo.
Mano Menezes surpreendeu no intervalo, colocou em campo o atacante Souza, no lugar de Defederico. E deu certo. Logo no começo do segundo tempo Souza já começou a fazer boas jogadas. Fazendo muito bem o pivô, a maioria das jogadas passavam pelos pés de Souza. Inclusive o gol. Mais uma vez Elias, em uma assistência de Souza e em mais uma jogada iniciada por Ronaldo.
Diferente do primeiro tempo, o time esteve seguro atrás, é bem verdade que o Racing jogou fechadinho o segundo tempo inteiro, principalmente após a expulsão de Darío Flores.
O Corinthians teve uma atuação segura, muito bem taticamente, mas não brilhou. Mas era estreia, é aceitável, é normal. Mas tem que acertar a defesa, bola aérea é um Deus nos acuda. Está assim desde o início da temporada, ainda tem tempo de arrumar.
Assim como o Internacional, o Corinthians mostrou ter um bom elenco. Jucilei e (principalmente) Souza entraram e jogaram muita bola.
Uma demissão anunciada
Quando o Palmeiras anunciou a contratação de Muricy Ramalho, ano passado, escrevi em meu antigo blog que isso tinha tudo para dar certo. E tinha mesmo. O treinador tri-campeão, o melhor time do campeaonato (até então), nada poderia dar errado.
Queimei minha língua.
Desde que Muricy chegou para o lugar de Jorginho – que fazia um bom trabalho – , o Palmeiras começou sua queda de produção e por consequência de posição na tabela, que terminou com o melancólico quinto lugar, após quase três meses na liderança do Brasileirão. O time não tinha mais padrão tático, não tinha sequer um time titular definido. Além disso o elenco estava rachado, entre si e com a torcida. Tudo isso é apenas culpa de Muricy?
Não, não é. A diretoria alvi-verde não lhe deu elenco, respaldo, bom ambiente para trabalhar. Muricy não é mágico, é bom treinador, até ótimo, mas não espetacular. No São Paulo foi tri-campeão, mas aliado à ele, tinha um elenco forte, que mesmo sem ele, disputou o título ano passado, de novo.
Para seu lugar, o Palmeiras trouxe Antônio Carlos Zago, ex-técnico do São Caetano – último algoz de Muricy nesses 7 meses de trabalho. No Corinthians, Zago fez um bom trabalho como diretor, ajudou Mano Menezes na montagem da base do time atual. No São Caetano um bom trabalho como treinador, salvando o São Caetano de um aparente rebaixamento da Série B do ano passado. É uma aposta. Pode dar certo, mas a diretoria precisa cooperar com ele. Sozinho não fará nada.
Dunga anunciou hoje pela manhã a lista dos jogadores convocados para o único amistoso antes da convocação final pra Copa do Mundo. Eis os nomes.
Goleiros: Júlio César (Inter de Milão) e Doni (Roma)
Laterais: Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), Michel Bastos (Lyon) e Gilberto (Cruzeiro)
Zagueiros: Lúcio (Inter de Milão), Juan (Roma), Thiago Silva (Milan) e Luisão (Benfica)
Meias: Gilberto Silva (Panathinaikos), Felipe Melo (Juventus), Josué (Wolfsburg), Ramires (Benfica), Elano (Galatasaray), Kleberson (Flamengo), Julio Baptista (Roma) e Kaká (Real Madrid)
Atacantes: Robinho (Santos), Adriano (Flamengo), Nilmar (Villarreal) e Luís Fabiano (Sevilla)
LF: A lista é a cara de Dunga. Condiz com o que ele vem fazendo nesses quase quatro anos à frente da Seleção. A novidade, que nem é tão novidade assim, foi o Gilberto na lateral-esquerda. O problema é que no Cruzeiro ele joga na meia, quase como apoiador. Mas é o tal discurso: “para tá em uma Copa do Mundo o jogador atua até no gol”. Senti falta de jogadores que atuam no Brasil – apenas o próprio Gilberto, Kléberson, Robinho, recém voltado, e Adriano. Um goleiro que atua por aqui poderia ocupar a vaga de Doni. Na defesa, prefiro o Miranda – mesmo não me agradando nas últimas atuações – ao Luisão. O Denilson do Arsenal é mais jogador que o Josué, mas ainda é jovem. Por fim, Lucas, do Liverpool, me agrada mais que Ramires.
PB: O Dunga é coerente, isso não podemos nos queixar. Mas podemos nos queixar dos nomes convocados. Doni já há algum tempo sumido da Seleção Brasileira e do time titular da Roma foi convocado. Sinceramente o nome de Doni não me agrada, muito menos agora que nem titular de seu clube ele é. Fiquei surpreso com a convocação de Gilberto, que agora joga como meio-campo justamente por não ter mais fôlego para lateral. Reclamar de Josué, Gilberto Silva e Felipe Melo é bater na mesma tecla, não vale mais à pena. De resto concordo com a lista, mudaria uma coisinha ou outra, mas é praticamente a lista que o Dunga convocou durante esses 4 anos, já era de se esperar. De fora dessa convocação, mesmo com boas atuações na temporada, Ronaldinho Gaúcho praticamente deu adeus à Copa do Mundo. Infelizmente.
Cicinho de volta ao São Paulo
O São Paulo anunciou nessa terça-feira a sua principal contratação para 2010.
Cicinho não vive um bom momento já há algum tempo. Vítima de lesões, não conseguiu a confiança dos Europeus em seu futebol. Não deu certo no Real Madrid e muito menos na Roma. Nos 5 anos na Europa, Cicinho não conseguiu manter uma regularidade, seja por conta das lesões, seja pela concorrência, o fato é que Cicinho – até então cotado pra ser o lateral-direito da seleção – não agradou muito os Europeus, e não teve o espaço que esperava.
Depois de falado tudo isso, vocês devem estar me achando contraditório, mas não estou. Explico o por quê:
A lateral-direita é a posição mais carente do elenco tricolor. O único jogador de ofício – Adrián González – não agrada, fazendo com que Ricardo Gomes improvise Jean, que apesar de bom jogador, rende mais como volante.
Cicinho gosta do São Paulo. Conhece o clube. Tem experiência em Libertadores. Tem tudo pra dar certo, mas precisa espantar de uma vez todas as lesões e passar a jogar com a regularidade que faltou nos tempos de Europa.
Coincidências…
Deixemos a imaginação nos guiar por um curto tempo e as coincidências regerem o futebol…
Há oito anos, o Brasil já respirava uma Copa do Mundo. O povo tupiniquim vivia a expectativa pela convocação – ou não – do atacante Romário. Felipão, técnico da Seleção à época, não levou o Baixinho para a Coreia e Japão, mas acabou conquistando o Mundial.
Hoje, o quadro é bem parecido. Já no clima da Copa da África do Sul, os brasileiros querem saber se Dunga levará ou não Ronaldinho Gaúcho à competição. Caso não convoque, seja por opção, cisma ou superstição – o que cada vez parece mais difícil diante do futebol apresentado pelo dentuço e das declarações do comandante -, o ex-jogador estará na mesma situação que Scolari em 2002.
Contudo, Gaúcho irá à Copa. Assim, segundo a comparação, o Brasil não copará.
Agora, depois de tanto absurdo, a parte mais (ou menos) lógica:
Há quatro anos, a Itália desembarcava na Alemanha com uma grave crise no futebol por conta do escândalo de arbitragem no campeonato nacional. Escândalo esse que rebaixou a Juventus e que foi o principal motivo para especialistas não colocarem a Squadra Azzurra no páreo pela taça.
Sob pressão, o país da bota sagrou-se campeão com um futebol não lá muito vistoso.
Pois bem. Quem está em crise hoje?
Traição lhe traz algo à cabeça?
A Inglaterra mudou de capitão. Seu melhor zagueiro brigou com o lateral-esquerdo (Wayne Bridge não deve nem olhar na cara de John Terry e, convenhamos, por um motivo justo) e o técnico Fabio Capello preferiu passar a braçadeira para Rio Ferdinand. O English Team, apesar de ter nomes, não convence e não chama atenção daqueles mesmos especialistas. O que deveria ser motivos para alegrar e encher os rivais de confiança, aterroriza, segundo essas coincidências. E, segundo as próprias, a Inglaterra é a favorita à Copa.
Entretanto, ainda bem que os especialistas entendem mais que tais coinciências, né?
Ainda bem que “futebol não é uma ciência exata e blá blá”, né?
Ainda bem que foi tudo imaginação: as coincidências não mandam no futebol, né?
Ou não?
Antes de mais nada já peço desculpas. Hoje não tem como não ser imparcial. O Corinthians foi sensacional, a raça dos jogadores em campo foi algo indescritível, emocionante.
Desde 2006 o Corinthians não vencia o Palmeiras – seu maior rival -, os jogadores sabiam disso e entraram em campo decididos a quebrar o tabu, desde o primeiro minuto de jogo podíamos ver o espírito guerreiro no semblante de cada um em campo.
O jogo começou equilibrado, mas logo aos 7 minutos, Jorge Henrique abriu o placar para o Corinthians. Um minuto depois aconteceu o lance chave do jogo, Roberto Carlos dá um carrinho violento em João Arthur, jovem atacante palmeirense. O árbrito Wilson Luiz Seneme não pensou duas vezes e expulsou o lateral corinthiano. A partir daí os jogadores do Corinthians sabiam que tinham que se desdobrar em campo e foi isso que aconteceu.
Ralf, William, Elias, Alessandro, Danilo, Tcheco e principalmente Jorge Henrique se multiplicavam em campo, marcando o Palmeiras com raça, não deixando o time jogar.
No segundo tempo o Palmeiras voltou disposto à empatar o jogo. Como de costume nos times de Muricy Ramalho, a equipe palmeirense apostou nas bolas aéreas, mas no gol corinthiano tinha aquele Felipe das finais da Copa do Brasil do ano passado, operando milagres e levando a torcida ao delírio.
No fim do jogo, visivelmente destemperado, Cleiton Xavier foi expulso, o que complicou mais ainda a vida do Palmeiras em campo, praticamente decretando a vitória corinthiana.
Na estreia do novo bandeirão da torcida corinthiana, na volta do derby ao Pacaembu, todos nós fomos beneficiados com um jogaço e com a raça dos jogadores corinthianos. Parabéns.







