Em parceria com P.G. Silva
Dezembro é o mês da renovação dos clubes de futebol, de fazer o balanço da última temporada, ver o que deu certo ou faltou, e de muitos torcedores cruzarem os dedos pela vinda de grandes reforços.
Pensando nisso, fomos atrás de ídolos que marcaram época nos quatro gigantes da Cidade Maravilhosa para saber quais contratações eles esperam receber em 2010. Geovani, Túlio, Aílton e Roger falaram abertamente sobre seus favoritos, dentre os nomes especulados, e sobre os jogadores que sonham em ver vestindo o manto de seus ex-clubes.
Com três passagens pela Colina na carreira e cinco Campeonatos Cariocas vestindo a camisa cruzmaltina, o meia Geovani marcou época no Vasco. Suas boas atuações pelo Almirante lhe renderam o apelido de “Pequeno Príncipe” e convocações para a Seleção Brasileira, durante a década de 80. Aposentado desde 2002, o ex-jogador, hoje com os seus 45 anos, se dedica à vida política, já que em 2006 foi eleito deputado estadual no Espírito Santo. E, dessa carreira, traz a diplomacia em suas palavras na hora de apontar os preferidos entre as especulações cruzmaltinas.
- O Rafael Carioca, o Herrera e o Rafael Sobis são bons jogadores. Se puderem render o que rendiam em outros clubes, aí, sim, seriam boas contratações – declarou.
De prestígio recuperado, com a volta a Série A, o Gigante da Colina foi o time carioca que mais anunciou chegadas desde o fim das competições. Entre os apresentados estão nomes como Márcio Careca, ex-Barueri, Élder Granja, ex-Sport, Léo Gago, ex-Avaí, Gustavo, ex-Cruzeiro, Caíque, ex-Guarani, Jumar, ex-Palmeiras, e Dodô, último a se integrar ao grupo. Mesmo assim, com títulos em mente, a diretoria do Vasco ainda tenta algumas contratações: Herrera, do Grêmio, Rafael Carioca, do Spartak Moscou, da Rússia, Rafael Sóbis, do Al Jazeera, Daniel Carvalho, do CSKA Moscou e Reinaldo, ex-Botafogo.
Entre os com maiores possibilidades de levar a cruz de malta no peito em 2010 estão Rafael Carioca e Reinaldo, que também conta com o apoio do capitão Carlos Alberto. Já Sóbis, que deve voltar o Brasil para tratar de um lesão no joelho esquerdo, está na mira do clube que o lançou, Internacional, e cada vez mais distante da Colina Histórica, assim como o argentino Herrera, que está perto de acertar com o Santos.
No entanto, para Geovani, o Cruzmaltino poderia abrir os olhos para outros destaques do Brasileiro passado. Para o ex-atleta, repatriar jogador está longe da realidade financeira dos clubes do Rio, que deveriam prestar mais atenção nos santos de casa.
- Trazer jogador do exterior é muito caro. O Vasco não deve ter condições para isso. Dos que vi jogando no Brasil, eu gostaria muito que o zagueiro Durval, do Sport, vestisse a camisa do Vasco. Ele jogou muito bem esse último Campeonato Brasileiro. O lateral-direito do Goiás, Vítor, é outro que me agrada.
Não só o Gigante da Colina deseja contar com o centroavante Herrera. O atacante argentino, que desponta como um dos jogadores mais disputados nesta janela de transferências, é desejado também pelo
Botafogo. E se dependesse do principal ídolo da torcida alvinegra dos últimos 15 anos, o jogador desembaracaria em General Severiano amanhã. Túlio Maravilha, como foi apelidado em sua vitoriosa passagem pelo Glorioso em 1995, quando ergueu o único troféu de Campeão Brasileiro do time, analisou os atletas que estão em pauta para 2010 e confidenciou um sonho: ver uma dupla de hermanos comandando o ataque do Clube da Estrela Solitária.
- São excelentes nomes. Assim como Vasco, Flamengo e Fluminense, o Botafogo precisa contratar jogadores de nome e que tenham estrela para se manter na Série A e conquistar títulos. Eu gostaria muito de ver em 2010 um ataque formado pelo Herrera, do Grêmio, e o Ariel, do Coritiba. O Botafogo tá de olho neles e seriam boas aquisições – explicou.
Com a permanência na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro assegurada na última rodada, o Botafogo adotou um perfil de contratações que não permite grandes extravagâncias, contrariando o desejo do ídolo. Por isso, a diretoria busca jogadores baratos e que se destacaram na última temporada. Até o momento, o clube fechou com os meias Léo Guerreiro, ex-Botafogo-DF, e Renato Cajá, ex-Grêmio.
Para Túlio, que segue em busca de seu milésimo gol, ainda faltam, pelo menos, três importantes contratações, as quais opinou e falou de nomes que ajudariam o Clube da Estrela Solitária a voltar a ocupar um lugar de destaque no cenário nacional.
- Para começar, o Botafogo precisa de um zagueiro, estilo xerifão, para suprir a saída do Juninho, de um meia para a ajudar o Lúcio Flávio no meio, e de um atacante para o lugar do Reinaldo – disse o jogador, para emendar ao ser perguntado sobre quem contrataria para reforçar o Bota – De cabeça não tenho nenhum nome, a não ser, é claro, eu. Mas isso só vai acontecer em 2011. O presidente Maurício Assumpção vai saber escolher bem os jogadores – disse com seu bom humor habitual.
Em contrapartida a filosofia de pés no chão do Botafogo está o Flamengo. O atual campeão nacional não medirá esforços para manter a base do elenco. A começar pelo treinador. Andrade recebeu um reajuste salarial de 200% e segue na Gávea. Agora, o Urubu luta para não perder atletas como Adriano, Aírton, Juan e Willians para o futebol europeu, além de ter que desembolsar alguns milhões de reais para manter Zé
Roberto, que pertence ao Schalke 04, da Alemanha.
Quanto aos reforços, o Fla espera contar com um novo patrocinador que pague o salário de seu principal objetivo: o centroavante Vágner Love, do Palmeiras.
O hexacampeonato brasileiro não fez a diretoria do clube se acomodar, assim, os cartolas rubro-negros correm atrás de outros nomes da lista de contratações, como o meia Marquinhos, do Avaí, o lateral-esquerdo Michael, do Botafogo, e o atacante Kléber, do Cruzeiro.
Quem concorda com esse pensamento é o ex-meia do clube, Aílton. O hoje técnico de futebol, que com o Manto Sagrado conquistou o Carioca de 1986, o Brasileiro de 1987 e a Copa do Brasil de 1990, defende que o Flamengo não “feche os olhos e ache que, por ter vencido o Brasileirão, não precisa de mudanças”. Sem nenhuma contratação e com o ano de 2009 ficando para trás, o Flamengo recebe de Aílton a dica para ter um time mais competitivo na próxima temporada:
- É preciso contratar um meia que saiba sair jogando bem, que tenha um bom passe. Um jogador que pense. O Aírton e o Willians não fazem essa função com muita qualidade. Eu tentaria trazer o Diego Souza, mas acredito que seja inviável. Cabe ao clube achar um nome com as mesmas características.
Dos especulados, o nome de Vágner Love é o que mais agrada a Aílton. Por outro lado, Marquinhos e Michael causam certa desconfiança no treinador.
- O Vágner Love iria cair muito bem no Flamengo. O Marquinhos poderia ser o tal jogador de meio campo, mas tem que ver como ele vai se sair sob pressão, com a cobrança da torcida. Já o Michael… não sei se é bem esse o jogador que o clube necessita – assumiu.
Por fim, as Laranjeiras. O Fluminense foi o clube carioca que mais oscilou em 2009. Entre alegrias e tristezas, o Tricolor foi vice-campeão da Copa Sul-Americana, perdendo apenas para a LDU, e contradisse os matemáticos, que apontavam o clube com 98% de chances de rebaixamento para a Segunda Divisão do Brasileiro, com uma arrancada heróica rumo à permanência na Série A.
Assim como o Botafogo, o lema do Fluminense para 2010 é não repetir o desespero desse ano. E isso
passa por um bom planejamento desde o momento de contratar. Contratações e renovações estão sendo tratadas com muito cuidado. Certo apenas a permanência do técnico Cuca, do apoiador Conca e do atacante Fred, principais nomes do clube.
Sem nenhuma contratação confirmada, os cartolas tricolores seguem trabalhando nos bastidores. O primeiro nome a ser anunciado deve ser o do atacante Ariel, do Coritiba. Júlio César, lateral-esquerdo do Goiás, interessa ao clube carioca.
A paciência e serenidade com que o Fluminense conduz suas negociações esse ano, sem maiores alardes, é compartilhada pelo zagueiro Roger, que passou pelo time entre 2006 e 2008, onde foi o autor do gol do título da Copa do Brasil há dois anos, sobre o Figueirense, e compôs o elenco vice-campeão da Libertadores ano passado, diante da LDU. Para o defensor o Flu precisa manter a base e suprir algumas posições que devem perder jogador.
- O time tem uma boa base. A renovação do Cuca foi um acerto muito grande da diretoria. Agora é preciso ver quais jogadores irão sair e contratar outros pras suas vagas. Ao que parece, um primeiro volante e um zagueiro experiente deveriam ser as prioridades do clube, na minha opinião – disse.
Esse ano foi de recuperação para Roger. Ele defenderia o DC United, dos Estados Unidos, onde pretendia encerrar a carreira, mas pouco depois de sua apresentação, o zagueiro sofreu uma lesão lombar e retornou ao Rio Grande do sul, seu estado natal, para se tratar. De longe, viu e sofreu com o Fluminense, clube como qual se identificou. E com esse distanciamento é que ele fala dos possíveis reforços do Tricolor:
- Não estive próximo do clube, então não posso falar com exatidão que ele precisa. O Ariel não conheço muito bem, não o acompanhei. Entretanto, o Nei (agora, no Inter) e o Júlio César seriam bem vindos em qualquer clube. Fizeram um belo Campeonato Brasileiro por suas equipes. O primeiro tem um grande potencial e o segundo já se desta há dois ou três anos – concluiu.
Feitos os pedidos, agora, é papel das diretorias partirem para as compras e garantirem a alegria dos torcedores e ídolos em 2010.
