“A coincidência é a forma que Deus tem para realizar anonimamente um milagre”.
Me perdoem os religiosos. Permitam-me escrever uma heresia. No caso da final da Taça Guanabara de hoje – primeiro turno do Campeonato Carioca – entre Botafogo e Vasco, Deus tinha nome e sobrenome: Joel Santana.
Mais do que o espetáculo das torcidas nas arquibancadas ou a luta dos jogadores no gramado, o comandante do Glorioso foi o destaque da decisão. Não pelo jogo de hoje porpriamente dito, mas sim pelo que fez em General Severiano desde que assumiu o Clube da Estrela Solitária.
A parte da coincidência entra aqui: o Natalino assumiu o time após uma humilhante derrota para o mesmo Almirante que despachou hoje por 6 a 0, em pleno Engenhão.
De lá para cá, seis jogos e seis vitórias. As duas últimas diante de Flamengo, nas semifinais, e Vasco, o que lhe rendeu a vaga para sua quinta final de Estadual consecutiva.
Já o Gigante da Colina, que gozou da melhor campanha e, para muitos, do melhor futebol da competição, perdeu a chance de começar o “Ano da Volta” com o pé direito.
O clima de final pareceu afetar os atletas. O jogo não foi bom. Os fanáticos torcedores, elevando os hertz do Maracanã, davam o tom do clássico.
Em campo, muita luta e pouca técnica.
O Botafogo apostou mais uma vez nos chuveirinhos, tentando se aproveitar da altura do ataque sul-americano composto por Herrera e Loco Abreu, principalmente o uruguaio. E assim abriu o placar, após escanteio, por intermédio de Fábio Ferreira.
A atuação do Clube de São Januário, muito distante da goleada de um mês atrás, não foi ruim. Entretanto, as duas principais apostas ofensivas da equipe – Dodô e Carlos Alberto – não estavam em tarde inspirada. O primeiro foi nulo, enquanto o segundo, ainda sentindo um problema no pé, esteve longe do ideal.
O ponto positivo foi a dupla de promessas, Philippe Coutinho e Magno. Nervoso no início, Coutinho não se intimidou e buscou jogo. Já Magno, no pouco tempo que ficou em campo, com habilidade, tentou criar alguma coisa, sem muito sucesso.
No fim, um pênalti bobo, 2 a 0 para o Fogão e mais um milagre de Joel. Botafogo de Futebol e Regatas bicampeão da Taça Guanabara.
De lamentável, a entrada grosseira de Nilton no menino Caio, o que desestabilizou e acabou com as chances do Vasco.
Agora, a Taça Rio já começou. De um lado o Botafogo, tentando encurtar a competição conquistando os dois turnos. De outro, 15 times em busca da glória. Para estes, as chances de errar acabaram. É tudo ou nada.






